Alzheimer: nem todo esquecimento é degenerativo
O esquecimento comum
Esquecer o nome de um conhecido, entrar em um cômodo e perder o motivo, não lembrar onde deixou as chaves. Isso acontece em qualquer idade, aumenta sob estresse e privação de sono, e não indica, por si só, doença.
O que caracteriza um quadro relevante é outro conjunto de elementos: a progressão ao longo do tempo, o comprometimento de tarefas que antes eram executadas sem dificuldade, e a percepção de familiares de que algo mudou.
O que é avaliado
- Memória recente. Repetir a mesma pergunta pouco depois de já ter recebido a resposta, esquecer conversas inteiras (e não apenas detalhes), perder-se em eventos recentes enquanto lembranças antigas permanecem preservadas.
- Funções executivas. Dificuldade em lidar com dinheiro, em seguir receitas conhecidas, em operar aparelhos que sempre usou, em planejar sequências de tarefas.
- Linguagem. Dificuldade em encontrar palavras, substituições, empobrecimento da fala.
- Orientação. Confusão em relação a data e dia da semana, e em fases posteriores, dificuldade de se orientar em lugares familiares.
- Comportamento e humor. Apatia, irritabilidade, desconfiança, alterações de personalidade, ansiedade, agitação no fim do dia.
- Impacto na autonomia. O ponto decisivo. A distinção entre declínio cognitivo leve e demência está na preservação ou não da independência para as atividades do dia a dia.
As causas reversíveis
Esta é a parte da avaliação que mais importa comunicar, porque muda desfechos. Nem todo declínio cognitivo é degenerativo. Condições potencialmente reversíveis produzem quadros semelhantes: hipotireoidismo, deficiência de vitamina B12 e de folato, depressão (que em idosos pode se apresentar predominantemente com queixas cognitivas), efeitos de medicações (especialmente benzodiazepínicos, anticolinérgicos e polifarmácia), apneia obstrutiva do sono, uso crônico de álcool, alterações metabólicas e eletrolíticas, infecções, e perdas auditiva e visual não corrigidas, que reduzem estímulo e simulam declínio.
Investigar sistematicamente esse conjunto é obrigatório antes de atribuir o quadro a uma doença neurodegenerativa.
Sobre o diagnóstico
Envolve avaliação clínica detalhada, informações de um familiar que convive com a pessoa, testagem cognitiva, exames laboratoriais e de imagem. O diagnóstico não se faz em uma consulta isolada nem por um exame único.
Onde entra minha atuação
O acompanhamento de quadros demenciais é conduzido em conjunto com a neurologia ou a geriatria. Minha contribuição se concentra na investigação de causas reversíveis, na revisão criteriosa das medicações em uso, e no manejo dos sintomas psiquiátricos e comportamentais associados, que são a principal fonte de sofrimento para pacientes e para famílias.
Percebeu mudanças cognitivas em você ou em um familiar?
O primeiro passo é uma conversa pelo WhatsApp para entender seu caso, sem compromisso.
Falar no WhatsApp →