Saúde Mental

Ansiedade em crianças e adolescentes: como ela costuma aparecer

Ela não se apresenta como ansiedade

Um adulto ansioso costuma conseguir nomear o que sente. Uma criança, não. O vocabulário emocional ainda está em construção, e o que existe é o corpo e o comportamento. Por isso, os sinais mais frequentes são indiretos.

  • Queixas físicas recorrentes. Dor de barriga e dor de cabeça, tipicamente concentradas nas manhãs de dias letivos e ausentes nos fins de semana, com investigação clínica sem alterações.
  • Recusa escolar. Resistência a ir à escola, choro na despedida, pedidos frequentes para ir à enfermaria, ligações para casa.
  • Irritabilidade. Especialmente em adolescentes, a ansiedade se expressa com muito mais frequência como irritação e explosões do que como preocupação declarada.
  • Dificuldade para dormir sozinho. Ou para dormir sem a presença de um adulto, além do esperado para a idade.
  • Perfeccionismo intenso. Refazer tarefas, apagar repetidamente, dificuldade em entregar trabalhos, medo desproporcional de errar, autocrítica dura.
  • Perguntas repetidas em busca de garantia. A criança pergunta várias vezes a mesma coisa, e a resposta acalma por poucos minutos.
  • Queda de rendimento escolar. Que frequentemente é interpretada como desatenção ou desinteresse.
  • Evitação. Deixar de participar de festas, apresentações, esportes, ou de dormir na casa de amigos.

O que é próprio do desenvolvimento

Nem todo medo é sintoma. Medo de separação em crianças pequenas, medo do escuro em idade pré-escolar e preocupação com aceitação social na adolescência fazem parte do desenvolvimento típico. A avaliação considera a proporção em relação à idade, a duração, a intensidade e, sobretudo, o prejuízo funcional: a criança está deixando de fazer coisas por causa disso?

Como conduzo a avaliação

Converso com a família e com a criança ou adolescente, com espaço reservado para cada parte, respeitando a idade. Informações da escola são muito úteis quando disponíveis.

Investigo o contexto: mudanças recentes na família, dinâmica escolar, situações de bullying, uso de telas e redes sociais, rotina de sono, e o padrão de resposta da família aos sintomas, que às vezes, sem intenção, acaba mantendo o ciclo de evitação.

Também avalio condições que se apresentam com quadros semelhantes ou que coexistem: TDAH, TEA, dificuldades específicas de aprendizagem, e quadros de humor.

Uma orientação para as famílias: o impulso natural diante de uma criança ansiosa é remover a fonte do desconforto (deixar de ir à festa, tirar a apresentação, autorizar a falta). Isso alivia imediatamente e, repetido, tende a ensinar que a situação era mesmo perigosa e que a evitação é a solução. Isso não significa forçar. Significa acompanhar em aproximações graduais, com apoio. É uma das coisas que mais discuto com as famílias na consulta.

Quando buscar avaliação

Se as queixas se mantêm por semanas, se a criança está deixando de fazer coisas que fazia, ou se há sofrimento visível, vale procurar. Quadros de ansiedade na infância respondem bem quando abordados cedo.

Reconhece esses sinais no seu filho ou filha?

O primeiro passo é uma conversa pelo WhatsApp para entender seu caso, sem compromisso.

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⚠️ Este artigo tem finalidade educativa e não substitui consulta médica. Não representa diagnóstico nem promete resultado para nenhum caso específico. Produzido em conformidade com a Resolução CFM 2.336/2023.