Doença de Parkinson: os sintomas que ficam de fora da conversa
Os sintomas motores
O Parkinson é uma doença neurodegenerativa associada à redução progressiva da produção de dopamina em regiões específicas do cérebro. Quatro manifestações motoras compõem o quadro clássico.
A bradicinesia, que é a lentidão dos movimentos, é o achado central. Manifesta-se em gestos que se tornam mais lentos e menores: letra que diminui, passos mais curtos, redução do balanço de um braço ao caminhar, expressão facial menos móvel.
O tremor de repouso, que aparece com o membro apoiado e tende a diminuir durante o movimento, é o sintoma mais conhecido, e não está presente em todos os casos.
A rigidez muscular e as alterações de equilíbrio e de marcha completam o quadro, com a instabilidade postural surgindo geralmente em fases mais avançadas.
O que costuma vir antes
Uma parte pouco divulgada é que sintomas não motores frequentemente antecedem em anos as manifestações motoras.
- Redução do olfato. Perda ou diminuição da capacidade de identificar cheiros, comum e raramente valorizada.
- Distúrbio comportamental do sono REM. A pessoa atua os sonhos durante a noite, com fala, movimentos bruscos e, por vezes, quedas da cama. É um marcador relevante e um motivo frequente de preocupação de quem dorme junto.
- Constipação intestinal. Persistente e de início anterior aos sintomas motores.
- Depressão e ansiedade. Podem preceder o diagnóstico em anos.
Os sintomas que pesam no dia a dia
À medida que o quadro evolui, o que mais impacta a qualidade de vida frequentemente não é o tremor: depressão, apatia e ansiedade (incluindo ansiedade ligada às oscilações da medicação ao longo do dia), insônia e sono fragmentado, fadiga, alterações cognitivas, dor (presente em boa parte dos pacientes e pouco reconhecida), hipotensão ao levantar, alterações urinárias, sialorreia. Em fases mais avançadas, sintomas psicóticos, que podem estar relacionados à própria doença ou às medicações.
Onde concentro minha atuação
O tratamento de base do Parkinson é conduzido pelo neurologista assistente. Minha atuação é complementar e se concentra justamente nessa dimensão não motora, que ocupa menos espaço na consulta neurológica por limitação de tempo e por prioridade clínica.
Isso envolve avaliar e cuidar de humor, ansiedade, apatia, sono e dor, sempre considerando as interações com as medicações antiparkinsonianas em uso, que são numerosas e clinicamente relevantes.
Quer conversar sobre o cuidado não motor no Parkinson?
O primeiro passo é uma conversa pelo WhatsApp para entender seu caso, sem compromisso.
Falar no WhatsApp →