Saúde Mental

Sono na terceira idade: envelhecer não é dormir mal

O que muda de fato

Com o envelhecimento, ocorrem mudanças fisiológicas esperadas no sono. Ele se torna mais leve e mais fragmentado, com mais despertares breves. O ritmo circadiano tende a se adiantar, com sonolência mais cedo à noite e despertar mais cedo pela manhã. A proporção de sono profundo diminui.

Essas mudanças são normais. O que não é normal, e não deveria ser aceito como consequência natural da idade, é dormir mal a ponto de sofrer com isso durante o dia. Essa distinção importa porque a resignação diante do problema é o principal motivo pelo qual causas tratáveis nunca são investigadas.

As causas que investigo

Apneia obstrutiva do sono. Muito mais prevalente do que se supõe nessa faixa etária, e frequentemente atribuída apenas ao ronco. Associa-se a risco cardiovascular, a sonolência diurna e a queixas cognitivas que podem ser confundidas com declínio.

Dor. Artrose, dor lombar, neuropatias. A dor fragmenta o sono, e o sono ruim aumenta a dor.

Noctúria. Múltiplos despertares para urinar, com causas que vão de condições urológicas a uso de diuréticos no fim do dia e a descompensação de outras condições clínicas.

Síndrome das pernas inquietas. Desconforto nas pernas com necessidade de movimentá-las, que piora em repouso e à noite. Está frequentemente associada a deficiência de ferro, o que é investigável e corrigível.

Depressão. Em idosos, pode se manifestar predominantemente com insônia, queixas físicas e alterações cognitivas, e não com tristeza declarada. O despertar precoce com angústia é um padrão que sempre investigo.

Medicações. Diuréticos, corticoides, alguns anti-hipertensivos, broncodilatadores, e as próprias medicações prescritas para dormir.

Fatores de rotina. Cochilos longos ao longo do dia, pouca exposição à luz natural, redução da atividade física, e tempo excessivo na cama, que é uma das causas mais frequentes e mais facilmente ajustáveis.

O uso prolongado de indutores do sono

Este é um ponto que merece atenção específica nessa faixa etária. O uso continuado de benzodiazepínicos e de medicações relacionadas é comum, frequentemente iniciado décadas antes, e está associado a riscos relevantes: quedas e fraturas, alterações cognitivas e de memória, confusão, e sonolência diurna.

Quando existe uso prolongado, a revisão é feita com cuidado e sem pressa. A retirada, quando indicada, é gradual, planejada e acompanhada. Tentativas abruptas anteriores costumam ter fracassado exatamente por não terem sido conduzidas dessa forma.

Nada disso deve ser feito por conta própria. Suspender ou reduzir medicação para dormir sem orientação pode trazer riscos, especialmente em uso prolongado.

O que a avaliação busca

Identificar o que é mudança fisiológica esperada, o que é sintoma de outra condição em curso, e o que é hábito ajustável. Na maior parte dos casos, há mais a fazer do que se imagina, e boa parte do ganho não vem de acrescentar uma medicação.

Quando buscar avaliação

Se o sono ruim tem repercutido no seu dia, se há ronco com pausas respiratórias, ou se você usa medicação para dormir há muitos anos sem revisão, vale conversar.

O sono tem repercutido no seu dia a dia?

O primeiro passo é uma conversa pelo WhatsApp para entender seu caso, sem compromisso.

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⚠️ Este artigo tem finalidade educativa e não substitui consulta médica. Não representa diagnóstico nem promete resultado para nenhum caso específico. Produzido em conformidade com a Resolução CFM 2.336/2023.